2005 e.v.

Esse foi um ano que passou demasiado rápido pra mim, assim como os dois anos seguintes, muitas coisas que mudaram e estão mudando minha visão sobre mim e sobre o mundo aconteceram, sendo o final desse ciclo os fatos que favoreceram para mudar os rumos de meus pensamentos e ações, um ciclo de transição, poderia dizer. Foi nesse ano também que comecei a escrever minhas poesias, nem sempre sendo as mesmas por inspiração de amores mal resolvidos ou coisas de cunho igualmente melancólico, e não importa sobre quem eu escreva, agradeço igualmente a inspiração e a oportunidade de escrever sobre o mesmo. Inicio agora os textos não datados, coisas que escrevi muitas vezes sem saber, ou mesmo sem ter algum sentido aparente, agora estão mais claros.

Eu, mesmo sem saber preparei o caminho que iria pisar. Foi também uma época em que sempre andava com meu dicionário, ele foi bem útil para a escolha de algumas palavras que poderiam me expressar melhor. Muitas vezes não disse nada por medo de dizer, medo do que poderia receber em troca… Infelizmente sempre fui um pouco covarde, e meu lado mais imaturo sempre contribuiu para isso… “… Se fosse fácil achar o caminho das pedras, Tantas pedras no caminho não seriam ruins…” Caminhar, andar para frente, numa mesma direção, sem um sentido prático para seguir, apenas por andar, ir para algum lugar, onde não se pode chegar… Talvez… Nada do que digo pode ser levado a sério, a não ser por sua própria conta e risco… Os caminhos tortuosos que me separavam dos rostos sem expressões agora não existem mais, como sua inefável presença.

Redimo-me por mim mesmo num ato de delírio chefiado por meus sonhos, que agora não me atrevo a permitir que os utilize dessa forma, como se transformasse, se isso fosse possível, o tudo em nada… Palavras de proteção e, por que não, de preocupação, ditas no melhor momento, pela pessoa certa, me fizeram acordar do sonho, ou pesadelo, que me afligia e enganava, de certa forma, para proceder da maneira errada com as pessoas com quem me importo… Isso é muito triste, agir de forma errada sem saber… Isso tudo é muito complicado, realmente não foi como eu havia planejado. Gritar aos quatro ventos que não é mais assim não surtiria o menor efeito, então fico em silêncio esperando a caravana passar, não tenho nada a perder, pelo menos que eu saiba, e muito pouco para se ganhar.

Muitos podem se perguntar o porquê de continuar por esses caminhos, eu paciente respondo que talvez não haja outros, ou que meus olhos já não os vêem mais, ou até mesmo quem sabe, que minha alma escolheu o caminho ao qual sigo agora, e o qual seguirei até encontrar outra bifurcação na estrada. Se me pedissem para parar talvez eu concordasse, mas não posso, não agora, não procuro alguém só para mim, pelo menos não como antes, como um louco, afoito e desconcertado. Agora eu só espero que minhas expectativas dêem algum resultado satisfatório… As pessoas próximas a mim não me entendem, em sua maioria, mas isso não é problema, os poucos que me entendem são mais do que suficiente para levar meus planos adiante… Aquela que conheci, há pouco para conhecer bem, mas tempo o suficiente para saber tudo o que preciso para poder nutrir algum sentimento especial para com ela… Não sei o que dizer, talvez seja bom, talvez eu esteja equivocado… As minhas três almas protetoras, que sempre estão por perto para me ajudar, nunca serão esquecidas, pois fizeram por mim o que ninguém mais queria fazer… Sempre prontas para dizer o que preciso ouvir, sempre ao meu lado, presentes mesmo distantes… Andar, parar, olhar em volta, “há um castelo a sua frente”, o vento lhe sussurra nos ouvidos, seus olhos se aguçam na neblina para poder ver o que há mais adiante.

Nada, nada além dos restos de uma construção de pedra antiga você vê, e se pergunta: “o que aconteceu aqui?”, “Caiu no esquecimento, pois seu dono ficou mais frio que a pedra, e mais distante que as terras de além mar”. Não escrevo versos tolos, é você que não os compreende. Tarde demais, o tempo passou, e você, o que fez para melhorar a sua vida? Nada é como parece, e algumas vezes, nem como deveria ser. Por quanto tempo mais eu vou fingir nada sentir? Eu não sei, mas procuro saber. As desilusões não são tão ruins quanto pode parecer, elas nos ensinam e lapidam, e o que ensina não deve de forma alguma ser algo ruim, mesmo não existindo aprendizado sem dor ou perda de alguma forma ou natureza. Ando sobre chamas, meus pés são como brasas, o calor de seu abraço não é mais acolhedor, talvez nunca o tenha sido, as chamas não mais esquentam, apenas queimam. Não quer mais escutar o que tenho para dizer, para você não interessa, ou acredita ser. Abandonaste-me há muito, não vejo mais porque continuar com tudo isso, nada mais é real, tudo é difuso como imagens em um caleidoscópio de emoções esparsas.

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