2011 e.v. Comentários e Lirismos

E o ano novo civil começa. 2011 e.v. (era vulgar). Parece que tanta coisa mudou, mas naverdade ainda são as mesmas coisas. O marasmo das festas de fim de ano passou, agora só ano que vem para repetir a dose, e às vezes acho que ainda é pouco tempo. É o tipo de coisa que deixou de ter sentido e passou a ser apenas uma desculpa para continuar fugindo dos mesmos problemas, sentimentos, pensamentos. Para muitos (e gosto de me incluir nesse grupo) é uma época de paz merecida e dificilmente alcançada, seja por vizinhos que querem atenção com bombas às 3 da manhã, ou das insistentes preparações fúteis de festas com parentes que nem sequer gostaríamos de topar, ou de ser obrigados a manter um mínimo de conversa. Não deveria ser assim.

Não me importaria em passar por tudo isso sozinho, com meus livros, textos e epifânias, desde que tivesse a paz espiritual que tento manter, é dificil tentar meditar enquanto há fogos estourando de minuto em minuto durante quase 3 meses do natal (meus vizinhos são bem legais, como se vê), mas é complicado seguir um calendário com feriados impostos por uma cultura da qual não me reconheço. Não sou católico, cristão nem sigo uma religião formal (uma completa heresia para muitos, e total descaso para o resto), mas ainda assim respeito a todos os ‘rituais’ perpetuados sem que os ditos cristãos lembrem o seu real significado. Existem coisas lindas, nos rituais em si, no simbolismo, nas palavras, mas a questão não é essa (e falar de religião é normalmente uma forma cansativa de se chegar a nenhum lugar), e sim o fato de invariavelmente me sentir deslocado de tudo isso, afastado, sozinho, tanto que acabo participando. Não que as datas não tenham algum significado para mim, mas vejo as coisas de outra forma, vibro em outras freqüências.

“Na escuridão, só você ouve a canção
Eu vejo a luz vermelha do teu walkman
Sobre edifícios no 30º andar
Uma flor vermelha nasceu”

Esquece-se de se ver as pequenas coisas, esquece-se de si mesmo. Muitos vêem, mas não observam, esperam uma data pré-moldada para terem a espiritualidade que se deveria ter o tempo todo. Para outros isso pode ser mera percepção, visão das coisas, para outros uma completa besteira, e muitos outros preferem não opinar.  Fazer as pessoas pensar é complicado, até perigoso (e esse também é outro grupo do qual gosto de me incluir), marca-se um status invisível de ‘perigoso socialmente’ para aqueles que procuram mover as coisas ao seu redor, sendo vistos de tantas formas quantas posso pensar, mas que prefiro não listar. É inegável que certas cosias não se podem fugir para sempre, e adiar é insistir no erro, gosto de pensar que se algo pode ser feito, que se faça o melhor e mais rápido possível. Acumular atividades, procrastinar e continuar na mesma forma-pensamento de gado, de ‘mais um na multidão’ não resolve nada, ou ao menos não muita coisa, se há algo diferente nisso, mostrem, por favor. Não é isso o que quero, não é isso o que busco.

“Uma canção no rádio, uma versão mal traduzida
Um pastor exorciza no rádio de um táxi
Uma certa impressão, uma certeza imprecisa
Quem não precisa de uma versão, uma tradução?
Um ditador deposto, marcas no rosto
Um gosto amargo na boca
E a certeza de que o último dia de dezembro
É sempre igual ao primeiro de janeiro”

Agora estamos aqui, depois de uma noite cansativa, de um dia arrastado e com cara de domingo (apesar de ser sábado). Metas foram, e ainda são traçadas, problemas são adiados até segunda-feira ou até o mês que vem, muitos querem mais sono e menos responsabilidades, e poucos estão realmente satisfeitos, e menos ainda continuarão nesse estado quando a correria voltar.

Postei todas as poesias que tinha, agora só quando tiver inspiração, enquanto isso tenho postado contos antigos e trechos dos livros que estou escrevendo, enquanto crio prazos para não depender sempre de inspirações que demoram a surgir, estudando e aperfeiçoando técnicas, formas e idéias. Inicio também as postagens das ‘cartas’ que escrevi com Helena, a luz dos meus olhos, quando ainda eramos pouco mais que amigos, cartas curtas, postais, entre dois personagens afastados pela distância de um oceano, e unidos pelo sentimento que os mantém unidos. Velhas crônicas também estão sendo revisados e reorganizados para serem postados em outra série mais ou menos curta, uma idéia antiga que quero dar logo por finalizado. Muito trabalho, muito estudo, e muito pouco tempo para disparates e momentos de ócio (desde que seja cosntrutivo está liberado). Não sou duro, ou exigente demais, todos vocês que são de menos, aliás acredito qeu cada um deva saber os seus limites. O problema é realmente por tudo isso em prática, afinal somso humanos, e erramos demais.

“Eu trago comigo os estragos da noite
Meu reino por um rosto, pelo resto da noite”

Continuo aqui, andando entre becos, escombros de idéias e pessoas, buscando as coisas que me completam em caminhos que nem todos sabem reconhecer. Aí está a graça de tudo isso: viver sem que te entendam totalmente, sem que te busquem por completo (porque muitos nem querem saber), e continuar sendo diferente, misterioso, tendo algo sempre novo para si mesmo, e para quem você ama. A vida está no movimento, na evolução, no crescimento. A estagnação muitas vezes é a morte, e morrer não está nos meus planos, de nenhuma forma. Desejo do fundo daminha alma que todos continuem seus caminhos, e que não parem, pois a vida é o que acontece enquanto você faz planos, enquanto se preocupa, e arranja novas desculpas. O tempo é uma ilusão da matéria, mas ainda assim não deve ser jogado fora.

Carpe Diem, Alea Iacta Est (aproveitem o dia, a sorte está lançada)

*musica: Anoiteceu em Porto Alegre – Engenheiros do hawaii

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