A Valsa das Flores Mortas

Perco os sentidos
Mas continuo correndo
As coisas ao redor perdem o sentido
E não parece mais te importar
As tantas formas com que me perco por ti
As tantas sombras que me matam aos poucos

Tuas mãos me seguem
Perseguem as minhas
Desisto
Fugir não tem mais sentido
A neblina de tuas roupas me cerca
A bruma de teu hálito
Congela meu corpo
Minh’alma luta para que não seja em vão
Meus esforços
Meus erros
Meus sentidos falhos
Tudo o que fiz
Ou deixei de fazer
Fiz por amor
Ou acreditei que foi assim
Nas vezes que arrisquei sem prever respostas
Ou que fugi
Covarde
Seu rosto qual a espada
Justa e forte
Faz de teus lábios
Os fios que cortam a alma
Deste tolo que tenta não chorar
De olhos banhados em sangue
Teus pés tocando as nuvens
Suave

Contemplo atônito tal esplendor
Mas ainda assim nada me resta
Observo calado
Pois não cabe em mim palavra
Vendo tuas asas
Brancas pérolas
Aos poucos se tornarem negras
Como o véu da noite
E o sabor da tempestade que traz com ela
Teus olhos guardam minha solidão
Uma redoma de calor e conforto
Que agora congela tudo o que tento tocar
Teu abraço protetor
Morno e convidativo
Esvai doloroso
Sufoca meus medos em minha garganta
Nas palavras que não me atrevo dizer

És como a rosa
Tentando esconder os espinhos em vão
Em um gesto inútil
Sem perceber que o que escorre de minhas mãos
E mancha tuas vestes alvas
É o veneno que corre em minhas veias
E não o vinho que embriaga teus passos
Sangue morno e convidativo
Suave talvez
Ainda assim doce e mortal

Vejo que não somos mais humanos
Agora meros fantasmas
Um casal entre tantos outros
Dançando eternamente
A valsa das flores mortas
Sei que correr não é possível
Que não tenho aonde ir
Não até que você vá embora
Até que possa sair
Desde esconderijo fútil
Onde me vi tentando escapar de teus olhos
Pois estás sempre onde menos espero
Onde?
Não sei dizer
E o que sei não mais importa

Agora que tudo é revelado
Irrelevando minhas incoerencias
Os olhos da verdade
Que tanto ignorei
Que sempre tentou ajudar
Perdidos em sua própria cegueira
Os olhos do Amor
Para quem não sabe amar
Estão vendados

Então seja minha guia
Acompanhe meus passos onde for
Tire de mim a sombra que cobre meus olhos
Descortine teus braços sobre mim
E faça de mim
Vivo
Pois no limbo estou
A sua espera
(20h44min – 15/10/05
13h50min 21/01/2010)

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Poesias

Uma resposta para “A Valsa das Flores Mortas

  1. Bianca Mendonça

    Nossa…seu blog é muito bom. Mas bom mesmo!! Parece que senti cada palavra lida nesse poema e estou meio paralisada. Estou tentando absorver tudo o que foi lido. Parabéns.

    @Luciuxlynx – Obrigado, realmente muito obrigado. Fico muito feliz de poder alcançar esse tipo de efeito. É tudo o que preciso pra continuar a escrever e postar ^^ Continue acompanhando o blog, toda semana tem poesias novas, contos, fotos, desenhos e coisas sobre os meus livros à cada duas semanas. Que a valsa carregue seus passos por onde for, e que possa voltar, para dançar mais uma música.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s