Xadrez

As asas brancas que tanto me guardam
Que sempre me trouxeram paz
Incomensurável e incorruptível
As rosas que sempre me deste
De todo nosso amor
De um fulgor tão sólido
Quanto as nossas raizes
As espadas com que sempre me protegeu
Que sempre guardei por ti
Forjadas contra nosso próprio mal
As cartas que escrevi e não mandei
Os versos que escrevi
E nunca publiquei
São as provas irrelevantes
Dos meus erros e delírios

A paz
O amor
A justiça
O carinho
Peças nesse tabuleiro
Onde enceno minha vida
Onde faço das lembranças
As peças que tento controlar

As plumas foram cortadas
Para que não pudesse mais voar
As pétalas secas
Ao sol e à nossa sede
O fogo que se extingue
O fio cego
A lâmina quebrada
As cartas que alimentam a brasa escassa
Ou mesmo rasgadas

Anarquia
Tristeza
Solidão e desespero
Vencedores temporários
Da partida que desenrola minha vida

Assim então me faço
Paro e entendo
O desafio estava perdido
Antes mesmo de aceitá-lo
O jogo acabou
Xeque-Mate
(28-10-05
01h35min – 24/01/2010)

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