Cartas – 01

Transcrevo aqui textos que fiz ao longo de 2005, uma série curta de cartas para minhas amigas de sala: Suellen, Kaliane e Mayra, que me ajudaram a descobrir e incentivaram minha vontade pela escrita, que até então eu considerava algo distante de minhas habilidades, dias em que passava horas à fio sentado ou deitado em minha cama, sozinho, desenhando formas sem muito nexo e remoendo papéis antigos.

Esse seria o inicio de tudo, e é interessante ver como as coisas mudam ao longo dos anos, coisas que pensava, fazia e via e que formaram o que sou agora, seja lá o que for.

Pensei em escrever sobre pessoas, sobre o que sinto. Ando meio desligado do mundo pensando na dor em meu peito, não, dor não, é algo mais profundo, pois quando olho para dentro de mim mesmo, quando olho para você, não é dor o que sinto, mas a solidão está sempre presente… Pelo menos por enquanto.
Talvez tudo seja ilusão, que nada seja verdade, seria mentir dizer que o amor não existe, mas sim que ainda não provei desse doce mel…

A vida é apenas um esboço, que tentamos transformar em arte final… Olhos brilhantes, distantes, diante de mim, que me fitam longamente, eu sinto como se estivesse lendo minha aura. Sinto-me estranho, envergonhado, agora sabes meus segredos mais profundos, parado não quero e não posso fugir você, que me detêm nos braços, um abrigo familiar, eu sinto que já a conheço, mas nunca a vi antes…
Sinto sua presença, sinto você, mas não está aqui, eu procuro em vão pelo caminho na névoa, não vejo o chão de gelo sob meus pés, brumas gélidas preenchem o horizonte e tudo até onde a vista alcança. Um mar de sangue a minha frente, um mar de lagrimas as minhas costas, um caminho estreito entre os dois que define quem sou. Em pensamentos tórridos me perco. Em uma existência insignificante me prendem…

Tenho vontade de chorar, mas não posso parar agora, tenho que terminar o que comecei e isso não pode ser deixado para trás, ou não…

O caminho é tortuoso, como uma travessia no deserto, sem noção de tempo e espaço, perseguindo uma miragem, uma simples ilusão de ótica.

Estou aqui em meio a livros que já li, revendo meu passado como um filme mudo, em câmera lenta, vendo estupefato, que não fui o queria e pensava ser, mas sim algo que temia e que abominava que tentava esquecer que existia…
Insistir no erro é algo estranho, sabe-se que está errado, mas mesmo assim não queremos enxergar isso…

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1 comentário

Arquivado em Contos

Uma resposta para “Cartas – 01

  1. Isso me faz sentir dor, ou talvez aquilo mesmo que vocês havia descrito.
    Ainda sustento meu comentário de que você é a única pessoa que me faz sentir o que eu sentia antes, e com a mesma intensidade.

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