Cartas – 10

20-09-05 – 22h07min
Palavras
Caminhar, andar para frente, numa mesma direção, sem um sentido prático para seguir, apenas por andar, ir para algum lugar, onde não se pode chegar… Talvez… Nada do que digo pode ser levado a sério, a não ser por sua própria conta e risco… Os caminhos tortuosos que me separavam dos rostos sem expressões agora não existem mais, como sua inefável presença. Redimo-me por mim mesmo num ato de delírio chefiado por meus sonhos, que agora não me atrevo a permitir que os utilize dessa forma, como se transformasse, se isso fosse possível, o tudo em nada…Palavras de proteção e, por que não, de preocupação, ditas no melhor momento, pela pessoa certa, me fizeram acordar do sonho, ou pesadelo, que me afligia e enganava, de certa forma, para proceder da maneira errada com as pessoas com quem me importo… Isso é muito triste, agir de forma errada sem saber…
Isso tudo é muito complicado, realmente não foi como havia planejado ser. Gritar aos quatro ventos que não é mais assim não surtiria o menor efeito, então fico em silêncio esperando a caravana passar, não tenho nada a perder, pelo menos não que eu saiba, nem nada a ganhar. Muitos podem se perguntar o porquê de continuar por esses caminhos, eu paciente respondo que talvez não haja outros, ou que meus olhos já não os vêem mais…
Se me pedirem para parar talvez eu concorda-se, mas não posso, não agora, não procuro alguém só para mim, pelo menos não como antes, como um louco, afoito e desconcertado. Agora eu só espero que minhas expectativas dêem algum resultado satisfatório… As pessoas próximas a mim não me entendem, em sua maioria, mas isso não é problema, os poucos que me entendem são mais do que suficiente para levar meus planos adiante…
Aquela que conheci, há pouco para conhecer bem, mas tempo o suficiente para saber tudo o que preciso para poder nutrir algum sentimento especial para com ela… Não sei o que dizer talvez seja bom, talvez eu esteja equivocado…
As minhas três almas protetoras, que sempre estão por perto para me ajudar, nunca serão esquecidas por mim, pois fizeram por mim o que ninguém mais queria fazer… Sempre prontas para dizer o que preciso ouvir, sempre ao meu lado, presentes mesmo distantes…
Andar, parar, olhar em volta, “há um castelo a sua frente”, o vento lhe sussurra nos ouvidos, seus olhos se aguçam na neblina para poder ver o que há mais adiante. Nada, nada além dos restos de uma construção de pedra antiga você vê, e se pergunta: “o que aconteceu aqui?”, “Caiu no esquecimento, pois seu dono ficou mais frio que a pedra, e mais distante que as terras de além mar”.
“Não escrevo versos tolos, é você que não os compreende”.
Tarde demais, o tempo passou. Nada é como parece, e algumas vezes, nem como deveria ser.
Por quanto tempo mais eu vou fingir nada sentir? Eu não sei…

As desilusões não tão ruins quanto pareciam, elas nos ensinam e lapidam, e o que, de certa forma, ensina não deve de forma alguma ser algo ruim…
Ando sobre chamas, meus pés em brasas, o calor de seu abraço não é mais acolhedor, talvez nunca o tenha sido, as chamas não mais esquentam, apenas queimam.
Não quer mais escutar o que tenho para dizer, para você não interessa, ou acredita ser. Abandonaste-me há muito, não vejo mais porque continuar com tudo isso, nada mais é real, tudo é difuso como imagens em um caleidoscópio de emoções esparsas.
Nunca desperdice um momento importante, pois ele não voltará jamais.
“Saudade não quer dizer estarmos longe, mas sim que estivemos juntos.”

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