Haeven Hazy – Um dia Comum

Um dia comum-
Quando nada é o Que Parece
E Não Sabemos de Mais Nada

Um mundo tão vasto, num mundo tão pequeno. Um lugar tão grande dentro de outros lugares. Um lugar onde tantas sombras se concentram. Um mundo onde ainda se completa a escuridão das salas e lugares onde a luz não mais ilumina.
O que se esconde atrás de tantas sombras? O que se esconde atrás dos arcos e se perde em meio a desconhecidos? Tantas coisas que se perdem em cada porta, cada palavra não ouvida e ficam tantas presas na garganta. Ela para e percebe que o melhor é continuar andando.

Uma garota caminha por uma rua escura e anormalmente vazia. O som dos seus passos ecoa e seu vulto pouco nítido é o único presente ali. A brisa noturna é como um sopro gélido em seus cabelos, e ela se deixa levar. Uma pedra solta, uma falha na calçada, de repente um baque as suas costas a faz olhar para trás…
Vazio.
Ela contempla o vazio e acha melhor olhar para o outro lado. Ela se depara com alguém a sua frente. Uma forma tão estranhamente bela e luminosa que a faz tropeçar com o susto. Ao tentar se levantar uma mão estendida emanando uma aura luminosa oferece-lhe ajuda, a garota procura o rosto da pessoa a sua frente e a percebe sorrindo, mesmo sem ver seus olhos ela não sente medo, mas sim um calor confortável, maternal.
Uma onda de tranquilidade e paz a invade como nunca sentido antes ao se levantar e ouve quase como um sussurro:
-Está quase na hora, pequena Haziel… – E a forma a sua frente desaparece, deixando-a no escuro, mas a sensação de paz e o calor tão estranhamente familiar a acompanha, ela nem percebe o tempo passar e quando dá por si está em sua cama, ainda vestida com um sorriso no rosto.

Sombras se contorcem no chão de pedra, o ar dança em ondas de vento que a ensurdecem, mas não a machucam como deveriam. Ela não consegue pensar, mal consegue se mover e seus olhos não fecham foco no ambiente ao seu redor.

“… Que sentimento é esse que consome meu peito? Quem sou eu, nesse mundo onde ninguém me vê? Que estranha luz é essa, que trilha meu caminho? Que sombra é essa que encobre sua face e assim o meu destino? Caminho agora entre escombros de um mundo que já não existe…”

Sua mente funciona devagar, ou rápido demais, e não sabe dizer se isso é bom ou ruim…
Ela desperta ofegante olhando para o teto,  não compreende o fato de estar mais cansada do que na noite anterior. Ela não lembra o que sonhou, apenas lacunas perdidas e cacos de sono são o que encontra, é tudo o que resta em sua mente. Ela não se lembra, nem sabe que esses sonhos aparecem agora com mais freqüência, e que são mais reais do que ela imagina, ela não percebe a relação entre eles…

“… Agora a morte surda caminha ao meu lado, e não sei em que encruzilhada, em que desvio no meu caminho ela irá me beijar…”

Ela adormece sem perceber e dispara quando o despertador toca, saltando da cama, cambaleante. Está atrasada pra aula, e se dormir mais irá perder mais um dia. Por mais cansada que esteja, por mais fraca que possa estar ela não pode chegar atrasada, não hoje.
Muita coisa aconteceu nesse ultimo ano, agora mora sozinha em uma casa que mais parece um museu de história, agora que tem consciência de que está sozinha neste mundo e que seus pais não gostariam de ver sua filha em um orfanato, mesmo tendo morrido no dia de seu nascimento, ela sabia disso. Morando agora na casa que um dia foi dos seus pais, e que esteve aguardando o momento em que ela teria condições de se virar sozinha, também não estava desamparada, tinha muito dinheiro para ter uma vida com conforto, os seus pais queriam que ela tivesse tempo para poder escolher seu caminho a seguir, e até definir seu destino ela teria como se sustentar. Morou com os avôs por um bom tempo, mas agora mora sozinha, pois sua casa nova fica próxima ao colégio onde está para entrar. É seu primeiro dia de aula e não pode chegar atrasada.

“… Depois de quinze anos de trégua, uma guerra que dura desde o início dos tempos, desde eras imemoráveis, voltará a lançar suas garras sobre este mundo que tenta viver em paz…”

…Ela se levanta e quase esbarra na porta do quarto, caminha cambaleante e entra no banheiro fechando a porta com a ponta do pé. Toma um banho frio pra ver se acorda, mas não surte muito efeito. Veste o Uniforme e enquanto amarra a gravata passa pela cozinha e pega uma torrada com geléia antes de sair de casa.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Haeven Hazy, Livros

2 Respostas para “Haeven Hazy – Um dia Comum

  1. Lucin

    And this history has a place to me my friend?
    Mua…haha…

    Take care, I’m back…

  2. Jean

    realmente, nothing is what it’s seems

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s