Impressões

Ultimamente tanta coisa tem acontecido à minha volta, que as vezes me perco, ou pelo menos não percebo ‘como algumas coisas são feitas’.

Dedos gelados de frio, deve estar uns 10º lá fora, ou menos, e o chá ainda não fez efeito. Dedos doem, mas nada que não possa ser ignorado.

Você acorda com aquela sensação de que perdeu algo, e não sabe dizer se é apenas o sono que ficou para trás, na cama. Papéis, retratos, frases escritas, seja em papel ou na tela do seu e-mail, trazem tantos mundos, que colidem com o seu, mas que nem sempre são interpretados como se deveria, ou quem sabe, nem são interpretados.

Não entendo essa mania de julgamento, esse vício de manter-se em uma postura defensiva contra tudo e contra todos quando outro fala apenas uma palavra, sem importar sentido, tom ou forma. Sem compromisso estreito de falar perfeito, Coerente ou não, como disse Oswaldo Montenegro. Ver de fora, de outro ponto de vista, ou mesmo conseguir rever suas ações a alguns anos, e perceber que ainda se é o mesmo, só que lapidado, morrendo um pouquinho mais a cada dia, para poder dizer-se vivo, para poder sentir-se como algo real, não mais que uma imagem ou uma lembrança, sombra ou retalho de algo maior. Não entendo isso.

Procurar uma imagem no espelho, uma sombra em uma foto, ou um pedaço, retalho rasgado de algo que já foi seu, ou ainda é, tudo isso apenas para dizer “veja, eu fui assim, eu fiz isso e aquilo, olhe para mim”, quando no final o que se buscava era apenas uma forma de dizer para si mesmo que esse vazio é apenas uma ilusão, que no final a resposta está dentro de si mesmo. Mas somos maiores que isso, e não vemos as coisas pequenas, simples. Como dizia o sábio, que infelizmente não me recordo o nome, ‘fazer uma simples flor é um trabalho de eras’.

É tão fácil condenar o mundo, reclamar de tudo, quando se percebe que é tão dificil parar, e olhar. Como em desenho ou pintura, que se vê mais do que se desenha. Pode-se passar horas olhando uma imagem, foto, paisagem ou objeto, para em poucos riscos expressar o que se sentiu. É tão dificil simplificar as coisas, suas ações, suas broncas que na maioria são apenas pedidos sufocados de atenção, ou a necessidade febril de registrar suas impressões do mundo, de seus amigos e de si mesmo, por sofrer e chorar por todas as palavras que deveria ter dito ou registrado e no final não o fez, pois estava  preocupado demais com os próprios problemas, e tentando como um desvairado resolver os problemas de quem se ama, mesmo que esses não saibam, apenas para que eles tenham a paz e a simplicidade de vida que você não pode ter agora, e que precisam tanto quanto você.

Às vezes não sei por que faço o que faço. Mas faço, por que assim, me sinto vivo.

A todos os que me fazem agir, me mover, pensar, deixo aqui minhas palavras

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