Fantasia

Diga, minha amiga, quando deixou de ver os fundos azuis dos teus lagos sem água? Quando deixou de ver em teus velhos sinais, as velhas escolhas contra velhos erros para enfim lançar-se em direções novas que nem sabe se irá tomar, que as vê no horizonte, mas o anseio por um veículo mais rápido que te arraste e te leve de vez para longe de tudo? Quando essa oscilação de desejos falsos e falhas reais a fizeram girar e girar andando sem ter mais para onde correr, sobre esse mesmo circulo mental? Para onde vai, se ao ficares não vives, e ao saíres mata quem tanto critica, mas que não pode cortar os laços que os unem? Quando deixou de gritar para as paredes nuas, de teias e poeira, para tentar se perder em outros braços, gritando em silêncio por raros e descartáveis prazeres? Quando deixará de ignorar as próprias falhas, e as enfrentará de frente? Nada mais há que eu possa fazer, e ainda faço.

Diga, meu amigo, quando deixou de carregar fardos para ser apenas mais um deles? Quando suas lições antigas se tornaram coisa do passado? Quando decidiu buscar mãos e sorrisos inocêntes para sustentar seus fracos alicerces? Quando se apoiou nos ombros da sinceridade alheia? Quando o medo e o tédio dominaram sua mente, quando sua maior força, e seu pior inimigo estão dentro de sua própria alma? Quando virá o choque que fará tremer tudo o que ainda te resta? Quando terá que enfrentar seus medos de frente? Até lá, mantenha-se firme.

Saudações, velha amiga, onde foi parar sua sinceridade ingênua, porém afiada? Alguma vez confiou em alguém de carne e osso? Quando os excessos fizeram simples decisões em julgamentos passiveis de masoquismo? Precisou perder algo importânte para saber quem você é? Ou se arrasta entre mundos que você não pisa, vê e sente? Nem tudo é o que parece ser, enquanto perco o pouco que tenho.

Quando decidi trocar meu ego pelos problemas que não são meus? Quando decidi ser quem eu sou? O que se fez do castelo de vidro ao qual me aprisionaram tempos atrás? Quando deixei de admitir falhas, mesmo que não sejam minhas? Não estou aqui para sangrar por ninguém.

Não se preocupe em alimentar meu ego, sou maior que tudo isso, mas nem tente alimentar o seu as escuras, só tens feito o contrário em ultimos tempos. Não tenho culpa. Não peço perdão.

Já pago alto demais pelos meus próprios erros.

(11/02/2010 – 00h30min)

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Contos

Uma resposta para “Fantasia

  1. Agora eu entendo qual parte concerne a mim neste texto.
    Poderia dizer algo de melhor se já não sentisse algo por mim mesmo (nojo).
    Não há o que falar, que não deva ser mostrado.
    Cansei de falar e tentar fazer vc ver, principalmente enquanto ocultava outras coisas. Daqui pra frente, não esperarei seus parabéns, farei sem esperar nada.
    Agora você mesmo me abriu os olhos para o que é crescer de verdade, mesmo que essa sua ajuda tenha sido mais para eu poder olhar para dentro de mim.
    Aqui me despeço.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s