De Repente

De Repente a Valsa volta à tocar, ou quem sabe são apenas os ecos dos passos que ficaram em sua mente.
Confuso.
Onde deixou o seu sorriso, só porque anda sozinho?
De repente seu sorriso não mais te protegeu, e quem não consegue ver você feliz se afasta.

Tudo se vai. Tudo é eterno enquanto dura, e compreender isso nem sempre é o mais facil dos passos. Que seja eterno enquanto dure, que seja a chama, pois se é fogo que queime!

Será que os Filhos do Sol ouviram o chamado? Será que a Lua ainda hipnotisa seus olhos?

Depois de tanto tempo pude caminhar, indiferente do peso da mochila, do stress da manhã e da quase hora em uma gráfica atrás de mais e mais trabalho, pude deixar a mente vagar, mesmo que para isso ela não precise de permissão.
Nem sempre é fácil deixar as coisas fluirem, nem sempre é fácil perceber o que está ao seu lado.

Voltamos então ao velho axioma das artes: o problema não é enxergar, e sim ver as coisas. E há um abismo entre as duas coisas.
Não que isso deva ser explicado, mas quem compreende a diferença entre as duas alcançou um ponto importante de sabedoria. Use-o, não deixe o conhecimento morrer.

Andei por quadras, muitas delas, pude parar na velha praça, talvez grande demais, e busquei aquele trecho de grama entre as árvores e parar, pensar, deixar as coisas tomarem a frequencia que deveriam ter. É tudo muito rápido, tudo muito forçado, tudo muito artificial. De repente essas coisas cansam.

Pessoas, atitudes, objetos. Tudo alguma hora cansa, e isso é natural. Em um tempo tão rápido, de necessidades instantâneas e prazeres descartáveis encontrar algo ou algum lugar fixo, criar raizes, mesmo que seja nas próprias idéias, ou quem sabe no teto do seu quarto, no qual você passa horas olhando sem saber o que pensar ou fazer, mesmo que não se admita em publico, é raro e, porque não, muito dificil.

Alguém pode me explicar que necessidade é essa de tentar ser ou ter tudo tão depressa? Idades, objetos, sentimentos tudo fora de lugar, tudo fora de ordem. De repente essa busca mostra o que é, e não sou eu quem deve lhe dizer. E não vou me sentir velho apenas por, no contrasenso da maré, buscar o freio em detrimento à velocidade.

Onde foi parar o Carpe Diem? Onde foi parar o que é real?
Onde está o teatro mágico só para iniciados?

Eu não vou me negar, mas só digo tudo o que sei para quem consegue ler sem que eu abra a boca.
Dificil de entender? Apenas pense que quando a hora de compreender chega, não precisa-se mais que seja dito. Só quem sabe pode entender.

Estou sendo muito amplo, metafórico talvez? Não sei, vai depender do que você pode entender por cada uma delas.
No final tudo depende da sua bagagem cultural, Zeitgeist talvez.

Vejo tanto medo de se arriscar, de mostrar o que se pensa e sente, que quando tudo se perde há também o medo de jogar fora, mesmo o próprio lixo. De repente busca-se estabilidade em coisas que não são fixas. No fim a unica constante é a mudança, então você sofre. Não entendo isso, de verdade.

“Das verdades que eu digo, quando minto pra você” – Nenhum de Nós

É tão dificil parar e respirar? É comovente ver que tantos sentimentos superficiais sejam tomados como coisas tão profundas.
De repente a dor de ontem não existe, hoje a dor é outra, por outro motivo, tão descartável quanto o anterior, e ainda assim sabia que não iria durar. Controvérsias, não vejo razão para que sofrer por algo passageiro seja válido, quando se escolhe, se pesa e se mede tudo o que se passa.

No final somos todos grandes hipócritas, ‘chorando feito fogo à luz do sol’.

Não importa o que você pensa, nem o que você faz, no fim, apenas acredite. Seja em si mesmo, seja em alguém, apenas acredite, sonhe.
‘Não tenho sonhos’ você diz. ‘Então crie um, invente’ eu respondo. Ninguém é capaz de viver, amar e ser feliz sozinho. Acredite em algo, ou em alguém, mesmo que seja você mesmo. Palavras poucas para explicar ou exprimir algo tão complicado.

Quem puder que me responda. Ainda busco minhas próprias respostas, não choro o que é passageiro, pois é eterno enquanto dura. Agradeço o que acontece, aprendo o que, como e quando posso. Erro no resto do tempo. Erro o tempo todo.

E à despeito de tudo, além e aquém de qualquer conceito, de repente percebo que sou feliz.
E isso já me basta, o resto que venha no tempo devido.

Obrigado

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