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Asfalto Frio e o Perfume sem Nome

Fizemos então planos demais. Planos que sabíamos, por dentro, bem fundo, que não seriam realizados, planos que foram feitos para preencher aquela noite vazia, enquanto o vento do lado de fora do salão preenchia todos os espaços, ignorado apenas por nossas cervejas pela metade. Continuar lendo

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A significância das Coisas

Quando se perde, frente a tantas confusões, cansaços habituais das ‘festas’ de fim de ano, você se encontra em algo que não queria estar, pensar ou mesmo existir: você não sabe mais o que está fazendo. Desvencilhando-se de tanto barulho, tanta confusão, ao ignorar o som dos fogos que teimam em ser acesos em pleno dia, meses antes do ‘dia prometido’, você suporta tudo com certa calma, ignorando, claro, sua vontade permanente de chamar a polícia ou estrangular seus vizinhos com as próprias mãos. Sentimento que cresce nos dias após a queima de fogos oficial, e seu vizinho teima em soltar dois ou três dos mais barulhentos no meio da madrugada, enquanto todos os outros querem dormir. Continuar lendo

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Diário de Bordo

Não entendo, não lembro, não cabem em mim as lembranças. Tanto se fez e desfez sob meus pés, entre meus dedos, e o que parecia perdido se perdeu de vez no horizonte. Enfim você veio me disse ‘oi’ quando não esperava nem ‘até logo’ e me cobrou a velha sinceridade de dias que não se viam mais. Temi perder as velhas marcas, os velhos hábito, tímidos, talvez infantis, mas sempre sinceros sempre verdadeiros. Não quis mentir, não pensei em omitir, não me restava nada, a não ser a sinceridade que cultivamos por tanto tempo. Você não quis respostas vagas, dadas por costume, e eu me vi cansado, sem sair da casa… Sem querer sair, sem poder ficar. Continuar lendo

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Autorretrato em Terceira Pessoa

E então ela disse. Não o que talvez ela quisesse falar de verdade, mas ainda assim as coisas que ele precisava ouvir, que no intimo ele esperava e até que já tentaram lhe dizer, mas que tinha que ser ela, pois mesmo ignorando todas as coisas que orbitam ao seu redor, coisas das quais ele não queria mais saber, o afetavam e ela sabia… Sabia de alguma forma não oficial, talvez subconsciente, mas que ela sabia, e se fazia saber. As palavras que saíssem de sua boca ganhariam aquele tipo de significado que só se encontram nos lábios dela, no sorriso torto quando se diz ou se escuta alguma besteira, na histeria incontida de seus sentimentos talvez mal guardados. Aquela voz que nem ela sabe até onde chega, que teme talvez gritar quando não se tem alguém por perto. Continuar lendo

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Uma Foto no Espelho ou Dissertações de Face Espelhada

Quem sou eu? Já não mais importa. Pesgunta essa que jamais me fiz, onde estou isso já não faz mais sentido, aliás sentido é o que nunca mais vi em coisa alguma.

Vivi muito antes de você nascer e talvez esteja aqui quando você partir. Você não sabe quem eu sou, apesar de sempre me ver, você não sabe ou talvez só me ignore. Sou capaz de atravessar o tempo embora nunca saia do lugar. Estou aqui há tanto tempo que nem sei mais… Continuar lendo

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Conto Para um Dia de Chuva

A chuva cai pesadamente sobre o descampado, a armadura pesa sobre os ombros cansados, a espada recém lavada com sangue agora descansa em sua bainha, o escudo, preso ao braço esquerdo, repele as gotas de chuva nas fendas de madeira e aço, abertas por golpes de espadas poucas horas antes. Até pouco tempo atrás os gritos de guerra e dor eram tudo o que se ouvia. Agora reina o silencio sobre o corpo cansado que luta para continuar sua jornada sem rumo. Sua respiração ofegante é uma súplica, seu andar lento e arrastado mostra o que não queria acreditar ser verdade, que, por mais que tente esconder de seu coração, agora está sozinho e sem rumo.

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Uma Pequena História

Rabiscando as folhas amareladas de um caderno muito antigo passo meu tempo a limpo, escrevendo frases soltas, inventando poemas e textos sem nexo, apenas para matar o tempo, antes que este me mate e o ato de escrever fique também monótono. Continuar lendo

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