Arquivo da categoria: A Rosa de Prata

Um Vampiro Antigo, uma sociedade de fins do século XVIII, um colar, uma jovem que investiga o desaparecimento de seu amado. Uma corrida contra o tempo, contra lobisomens, vampiros e caçadores de recompensa atrás de uma história que cruzou as eras.

A Rosa de Prata – Trecho

Aquilo deveria ser fácil, como nas tantas outras vezes que já o fez, era entrar e sair, pegar o que procura, mesmo em frente a alguma possível testemunha, ele não se importava, pois normalmente elas seriam seu jantar, mas não daquela vez. Não era por alimento que invadiria aquele lugar, e algo o fazia sentir-se preocupado, como a muito não sentia. Algo estava interferindo em seus sentidos aguçados, algo fora dos planos, algo que ele não previu, e que o fazia sentir-se incomodado, que o fazia sentir algo, e isso o excitava. Seus olhos procuravam com maior ansiedade do que o normal, sua atenção estava mudando de foco a todo instante, aos pés daquela construção de pedra, madeira e barro, e o cheiro que vinha de fora, das vozes distantes que ouvia tão bem.
Suas botas estavam afundadas na grossa camada de neve, os flocos que caiam em seu nariz, impassível, entre seus olhos frios e vermelhos, uma perfeita estátua, observando e sentindo, esperando o momento certo, esperando algo que nem sabia o que. Algo o trouxera até ali, antes a intuição, depois a certeza, seu amuleto o chamava, seu diário, pelo qual procurou tanto e por tanto tempo, de repente o acordou, e sentiu-se ameaçado pela primeira vez em alguns séculos. Sua euforia era tal, que se não fosse a neve, a encobrir os cheiros das pessoas que passavam por ele, que poderia trazer problemas, mas nada desviava sua atenção do cômodo isolado, do quarto 2 andares acima de onde ele estava, de onde podia ouvir o que ninguém a sua volta ouvia.
Estava parado em um canto mal iluminado, chegara à Londres não fazia muito tempo, mas já conhecia os lugares, e o que não conhecia tratou de investigar, o que para ele era nada mais que uma diversão, mas a muito ele não sorria, talvez nem lembrasse mais seu ultimo motivo sincero para isso. Não depois que se tornou uma sombra.

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